sexta-feira, junho 22, 2007

Contos Estranhos II


Sombras, grandes sombras no caminho da luz . Ilusões, quem realmente as reconhece? Sempre se espera encontrar a resposta no lugar errado... Pedras rolam pelo penhasco... E agora?
Ela olha a lua, ainda está claro, qual a decisão? Ela não sabe... então senta e chora, não consegue entender. Quantas dezenas de vezes já estivera naquele mesmo lugar? Impossível lembrar, só sabe que foram muitas.
As estrelas parecem estar sempre no mesmo lugar, Mas ela sabe que estão sempre em movimento, tudo é apenas ilusão. Apenas mais uma ilusão, não é o fim do mundo Talvez o fim dela, mas não o fim do mundo O mundo nunca se importa. E que foda-se o mundo então...
Sabe que nem tudo é como parece e nem sempre os erros levam a um acerto, Mas continua fazendo, porque não conhece outro caminho.
A vida é complexa, mesmo o céu sendo lindo Os sorrisos verdadeiros, os abraços sinceros As pessoas legais e eu a garota que não pára de pensar...
As músicas vazias, as palavras cobranças Os livros inúteis, os barulhos inaudíveis, Meus gritos calados, meus olhos cegos, Esse meu jeito idiota... "De que adianta um cérebro pensante com um coração distante?!" Ela não sabe, ou talvez não queira saber...
"Deve haver uma saída", pensa. Então levanta-se, olha mais uma vez o penhasco à sua frente e a lua Lua essa que parece ter pena dela... "ODEIO pena...!" Não pára de chorar, mas ao menos sai dali. Sai dali apenas para, passos adiante, descobrir que não importa aonde vá Terá sempre um grande penhasco à sua frente. Não importa o lugar, a hora, as pessoas ao seu lado, maldito penhasco...
Tenta sorrir, e as lágrimas e o brilho da lua fazem com que se reflita aquele rosto e ela fique parecendo o que sempre foi, o que é e o que nunca deixará de ser: uma garota boba e carente que não sabe o que fazer...
"Esperar dói, esquecer dói, mas não saber qual dos caminhos tomar é a pior das coisas", lembra de uma frase bonita que um dia chegou a ler... Continua caminhando, pra quem sabe um dia se encontrar Continua chorando, pra que as lágrimas acabem Continua tentando não pensar, pra que não se jogue do penhasco Continua olhando a lua, ora bendita, ora maldita Continua, apenas continua... pois também não sabe como seria se desistisse...
De repente, como em filme, começam a passar na sua frente várias cenas de sua vida.... Angustia-se ao ver como era e como pode ser feliz Lamenta-se pelo que deixou passar Sorri pelas pessoas que cativou Chora pelas que deixou ir embora e pelas que um dia podem ir...
Cansa-se de si mesma. Cai sentada numa calçada Pergunta-se o porquê de sentar na calçada e não no meio da rua... Ri, ri de sua vida, porque essa foi só mais uma infeliz coincidência.
Lembra de sua família e pensa que eles podem estar preocupados. "Hum, eles iriam ao meu enterro se eu morresse, talvez chorassem. Mas chorariam por alguém que nunca nem chegaram a conhecer...", pensa.
Apoia a cabeça em seus joelhos, diz a si mesma que quer que o mundo exploda, mas na verdade só quer um abraço quando está frágil, mas não qualquer abraço... Um abraço forte, demorado, que lhe desse segurança por um longo e longo tempo... Pára de pensar nisso, aliás, tenta, pois não consegue. Mas ao menos tenta, porque isso só a deixa pior...
"Devia ter corrido atrás do que queria..." GRANDE! Quantas coisas DEVIA ter feito e não fez?!
De repente ela cansa, cansa das lágrimas, cansa-se de seus pensamentos, cansa de estar cansada. Pela última vez levanta e decide-se não mais cair, mesmo que nem ela mesmo acredite nisso...
Vai para casa, viver seu teatro, até que as lágrimas resolvam cair novamente. Entra em casa, sua mãe pergunta onde esteve, o que fez, se comeu, se está bem. "Estou bem, mãe". É tudo que diz...
Entra em seu quarto, fecha a porta, apaga as luzes, fecha a janela, cai em sua cama. Não sabe, sinceramente como não sabe mais de nada...


Esse conto está nos meus arquivos há muito tempo, não sei onde peguei, nem o autor, nem o título...sei que com certeza, isso aconteceu comigo várias vezes, talvez umas 3 por ano ou uma vez por mês, mas isso aconteceu já muitas vezes, como acontece agora..

Nenhum comentário: